domingo, 29 de março de 2015

Ver-o-Peso

O Ver-o-Peso, maior cartão postal de Belém, completou na última sexta-feira, 27 de março, 388 anos.

Parabéns Ver-o-Peso!!! 388 Anos de história, sons, cores e sabores. 


Tenho lembrança...

Tenho lembrança da minha infância quando meu pai me convidava para ir com ele fazer compras no Ver-o-Peso, sempre aos sábados pela manhã. Achava tão legal acordar cedo, pegar o ônibus e ouvir meu pai assobiar os cantos do Círio de Nazaré... Chegando lá confesso que tinha medo de me perder do meu pai e não saber voltar pra casa. Era muita gente indo de um lado pro outro comprando e trabalhando. Ajudava-o carregando algumas 
sacolas, claro as mais leves. Gostava de ver as barracas das frutas em especial as que tinham cupuaçu, muruci e bacuri, frutas ácidas de perfume encantador. Ir ao mercado era uma grande aventura!

Passávamos horas andando entre as barracas de frutas, pimenta, jumbú, charque, camarão (Esses me deslumbrava o tamanho!!!). O Cheiro do mercado me agradava, tinha medo de pisar no chão molhado... Gostava de ir também à parte alta do mercado onde ficam a parte do artesanato e das flores. Aquele lugar me fazia lembrar de casa e da minha mãe, pois aqui em casa até hoje minha mãe tem um zelo todo especial com as plantas e flores; ela diz que casa assim traz alegria a quem vem nos visitar! Gostava da parte alta também, pois dava pra ver o Rio.

Lembro também que todo sábado o almoço era peixe e o papai ia cedinho 
comprar
 no mercado do peixe, ficava encantada com tantos peixes, de todos os tamanhos e preços. Terminada as compras era hora de voltar pra casa, mas antes parávamos nas barraquinhas de lanche pra comer pastel folhado de queijo e suco de cupuaçu.


Parabéns, Ver-o-Peso!! Pelos 388 Anos de história, sons, cores e sabores...

Texto:
Emília Silva Jacob


Histórico

A história do Ver-o-Peso está diretamente ligada à da cidade de Belém do Grão-Pará.

Criado com objetivos fiscais, foi a partir de então que o porto do Piri entrou para a "economia formal", passando a se chamar o "lugar de ver o peso", nome que a tradição oral há mais de 300 anos soube preservar. Um ano depois, em 1689, desembarcou no Ver-o-Peso, vindo das missões dos Omáguas do alto Amazonas, o padre jesuíta Samuel Fritz, autor da carta geográfica mais completa da Amazônia até o século XVII.

Ao longo de todo o século XVIII, o Ver-o-Peso assistiu aos principais eventos e acompanhou as mudanças urbanísticas que a cidade sofria, em seu crescimento para a outra margem do igarapé do Piri. No Ver-o-Peso, ainda naquele século, aportaram no Grão-Pará as primeiras mudas de café vindas de Cayena pelas mãos de Francisco de Melo Palheta, as quais, mais tarde, mudariam a economia e a história do Brasil.

Ao longo do século XIX, muito da história política, econômica e social de Belém continuou passando pelo Ver-o-Peso. No ano de 1823, em seu porto, ocorreu a tragédia do navio Brigue Palhaço, quando 256 pessoas que eram contra a independência do Brasil, após serem presas pelos agentes do governo em seu porão, foram mortas por asfixia por cal em pó. Em 1835, quando estourou a maior revolução social da região, a Cabanagem, foi ali que os cabanos aportaram antes de cruzar o caminho até o Palácio para assassinar o Governador Lobo de Souza e ocupar o poder.


Círio de Nossa Senhora de Nazaré - 2º Domingo de Outubro
Em 1855, por ocasião de uma forte chuva ocorrida no dia do Círio, a berlinda que conduzia Nossa Senhora de Nazaré ficou presa na lama em frente ao Ver-o-Peso. Comerciantes do local providenciaram uma corda para viabilizar a retirada da berlinda e dar continuidade à caminhada.

Ainda no início do século XX, no auge da época da borracha, a paisagem do Ver-o-Peso sofreu novas mudanças: construção de um mercado pré-fabricado em ferro trazido da Inglaterra na margem da baía; ampliação do antigo Mercado de Carne, situado nas proximidades; ampliação do aterramento da baía e construção do porto pelos ingleses, além de outras construções seguindo um padrão arquitetônico europeu, de estilo eclético e com grande influência art nouveau, sobretudo nos elementos de ferro trabalhado artisticamente.


Complexo do Ver-o-Peso
Complexo do Ver-o-Peso
Nas proximidades do Ver-o-Peso, o casario colonial da margem esquerda do antigo Piri continua emoldurando o conjunto, por trás do antigo Colégio e da Igreja barroca dos Jesuítas, e na lateral do antigo Forte do Castelo, embrião da cidade. No espaço aterrado do igarapé, foram construídas a Praça do Relógio e a Avenida Portugal. Na outra margem, ainda resistem muitos sobrados do século XIX margeando o Mercado e a feira, seguindo até a Igreja e Convento das Mercês, monumento do século XVIII, de autoria do arquiteto italiano Antonio Landi. Os dois monumentos setecentistas, dos Jesuítas e Mercedários, integram os limites do que atualmente os urbanistas de Belém chamam de "Complexo do Ver-o-Peso", espaço significativo para a identidade econômica e cultural da cidade de Belém e de toda a região Norte.


Essa área constituía o antigo centro da cidade, onde se concentravam as principais atividades de comércio e serviços. A expansão da área urbana, com o surgimento de muitos outros bairros, propiciou a criação de novos polos centrais para a vida da cidade. Embora decadente, o velho centro ainda prepondera sobre os demais, atraindo grande número de pessoas que por ali circulam diariamente, seja para trabalhar, fazer a feira, compras, pagamentos ou simplesmente passear. Por intermédio de eixos viários de penetração e do sistema de transportes, o centro histórico e o conjunto do Ver-o-Peso se encontram interligados ao contexto urbano continental.


Reformas

Nos últimos anos foram realizadas duas grandes reformas no Mercado Ver-o-Peso. A primeira aconteceu em 1985, na administração municipal de Almir Gabriel, quando o Mercado de Ferro, com suas torres, colunas e 
escadas todas em ferro, forjadas em Londres e Nova York e montadas no local, foi restaurado. Também o Solar da Beira, construção em estilo neoclássico, passou por reformas e foi transformado em restaurante e espaço cultural da cidade.

A Praça do Pescador e a feira livre também ganharam melhorias, como também a construção da Praça dos Velames e de barracas padronizadas. Em 1998, foi iniciada uma segunda grande reforma no Ver-o-Peso, sob responsabilidade da Prefeitura de Belém, na gestão de Edmilson Rodrigues, com o objetivo de intervir na feira em âmbito geral, contemplando, assim, aspectos que vão do paisagístico ao que diz respeito à qualificação dos feirantes no atendimento ao público. Essa reforma continuou até o ano de 2002, sendo realizada por etapas.

O complexo do Ver-o-Peso, portanto, constitui-se de um importante patrimônio edificado, situado no centro histórico de Belém, datado dos séculos XVII, XVIII e XIX, uma síntese da conformação arquitetônica da cidade em vários estágios e estilos: edificação militar, barroco jesuítico, arquitetura civil colonial e pós-colonial, estilo neoclássico, estilo eclético e arquitetura industrial. Mas o que faz do Ver-o-Peso um lugar muito especial não é apenas o patrimônio material expresso em sua arquitetura exemplar
.

Reforma do Mercado de Peixe

Em janeiro de 2012, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) deu início à obra de restauração e conservação de Mercado de Peixe, atendendo a demanda dos próprios trabalhadores do local.
O projeto de recuperação do mercado foi realizado em duas etapas. A primeira fase foi concluída em janeiro de 2014, com a entrega de 15 lojas, um PM Box, metade da cobertura, quadro de energia, duas torres e trinta dos sessenta boxes dos peixeiros. 

A última etapa de obras foi entregue no dia 23 de março de 2015, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com apoio da Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Economia (Secon), que administra o Complexo. Nesta etapa, os permissionários receberam os boxes restantes, novas instalações elétricas e hidrossanitárias, proteção contra descargas atmosféricas, circuito interno de TV, construção de câmaras frigoríficas, banheiros, adequação as normas de vigilância sanitária e reforma total da cobertura com redimensionamento de calhas e condutores.


Os bens tombados no Ver-o-Peso

O Mercado do Ver-o-Peso possui 4 bens tombados individualmente e também está na área de abrangência do Centro Histórico de Belém tombado pelo Iphan.


Mercado de Peixe ou Mercado de Ferro

O Mercado de Ferro do Ver-o-Peso é um dos pontos turísticos mais importantes da cidade de Belém. Situado na confluência dos rios Guamá e Pará, na região conhecida como Baía de Guajará, é uma das construções de maior destaque do complexo do Ver-o-Peso, com sua estrutura toda em ferro oriunda da Inglaterra. Inaugurado em 1901 pelo então intendente Antônio Lemos, é considerado cartão-postal da cidade.

Em seu interior há 67 boxes onde são comercializados peixes e camarões frescos; a área externa é composta por lanchonete, uma barbearia, bares, pontos comerciais de produtos religiosos, de material para pesca, esportivo e descartáveis, e é onde se realiza também a venda de caranguejos vivos.

A história do Mercado de Peixe se confunde com a do Ver-o-Peso em geral, pois naquele local, às margens da baía, desde o início do século XVII foi instalada uma das chamadas Casas do Ver-o-Peso, projetadas no Brasil em 1614, no Rio de Janeiro, para aferição do peso exato de qualquer mercadoria e cobrança dos respectivos impostos. Inicialmente o mercado abrigou a feira com a comercialização de frutas, verduras e demais produtos e somente depois passou a funcionar exclusivamente como Mercado de Peixe.


Mercado de Carne ou Mercado Bolonha

Trata-se do Mercado Francisco Bolonha, popularmente conhecido como Mercado de Carne. Abriga lojistas e feirantes, em sua maioria comercializando carnes e vísceras, mas também alguns que se dedicam ao comércio de refeições, polpas de frutas e produtos religiosos. Embora outras mercadorias também sejam vendidas, é unicamente neste lugar, dentro do complexo do Ver-o-Peso, que se faz o comércio de carne.

Esta edificação tem grande importância histórica por ser um dos prédios mais antigos do entorno. Depois de passar por algumas reformas, empreendidas inclusive pelos próprios trabalhadores, o Mercado de Carne atualmente está sendo restaurado por intermédio do Programa Monumenta.

Horário de funcionamento:
De segunda a sexta-feira, das 7h às 16h; sábado, das 8h às 13h


Praça do Relógio


A Praça Siqueira Campos, popularmente conhecida como Praça do Relógio é tombada por lei federal de 09 de novembro de 1977, e por lei municipal de 30 de março de 1990. Foi inaugurada em 05 de outubro de 1931, no perímetro formado pela Avenida Portugal, Doca do Ver-o-Peso, Rua Pedro Rayol e Travessa Marquês de Pombal.



Solar da Beira

O Solar da Beira é uma construção em estilo neoclássico onde funcionava o antigo órgão responsável pela fiscalização municipal. Atualmente é um espaço misto, de múltiplos usos: abriga o Museu do Índio e parte da administração da Feira, serve de base para guardas municipais e dispõe de banheiros abertos 24 horas por dia, que são geridos por uma cooperativa, na parte inferior do Solar.


Vale a pena conferir...

No dia 25 de setembro de 2012, o Ver-o-Peso ganhou mais uma ferramenta para divulgar suas riquezas em nível local, nacional e internacional, o site “Ver-o-Site”, que foi lançado na sede do Iphan-Pará. 
O Ver-o-Site tem como objetivo ser uma ferramenta para divulgação do Ver-o-Peso, os produtos que são ali comercializados, suas histórias e memórias, bem como ajudará a salvaguardar as referências culturais que mantém o mercado vivo e encanta moradores de Belém e visitantes.

Visite o Ver-o-Site e mergulhe no universo de sons, cores e sabores do Ver-o-Peso.


Serviço:
Realização: Centro de Memória da Amazônia-CMA/UFPA e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan/PA
Informações: (91) 3222-7280 (Carla Cruz-Iphan/PA) ou (91) 3252-2843 (Rosivan Ferreira-CMA/UFPA)


Texto: Emília Silva Jacob
Imagens: Google Imagens

Fonte:
* INRC Ver-o-Peso, 2010, Iphan/PA.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Dom Irineu Roman, bispo Auxiliar de Belém

Dom Irineu Roman, Bispo Auxiliar de Belém, desde 19 de março de 2014 à pedido do Papa Francisco. Com uma lista longa de experiências e de grande responsabilidade durante sua vida sacerdotal, ele nos fala da sua experiência nestes últimos meses. Também fala da preparação e dos momentos que antecedem o Círio de Nazaré, o qual espera com muita expectativa: "Para mim serão momentos inesquecíveis...". E faz o convite: "Venham!Venham todos participar do Círio!"


        
Irineu Roman é gaúcho, filho de Marcelino Roman e Idolvina Biasotto Roman, nasceu em 10 de Agosto de 1958, na cidade de Vista Alegre do Prata(RS). Ingressou no Seminário Josefino em 1973. Fez os primeiros votos religiosos na Congregação de São José, no ano de de 1980. Foi ordenado presbítero em 1990. Durante a sua caminhada como padre, colaborou de forma especial no acompanhamento de jovens e na formação de seminaristas. Exerceu atividades como professor, econômico, vigário paroquial. 


  Em Belém, foi pároco da Paróquia Santa Edwirges, durante 15 anos, permanecendo até a data de sua nomeação como bispo. Neste período, padre Irineu Roman foi vice-diretor, econômico e diretor da comunidade Religiosa dos Josefinos de Murialdo. 
Na arquidiocese de Belém, exerceu o cargo de membro do Conselho Presbiteral e vigário episcopal da região São João Batista. 
  A cerimônia de ordenação de Dom Irineu presidida pelo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, aconteceu no município de Vista Alegre do Prata, interior do Rio Grande do Sul, Paróquia de São José, a cerca 200 quilômetros de Porto Alegre, na quarta-feira (19). A cidade, que conta com pouco mais de 1.500 habitantes, ficou repleta de fiéis vindos de outras regiões para celebrar o momento de muita alegria para todos.


Estivemos com Dom Irineu, num breve momento, pessoa maravilhosa e de grande humildade. Atencioso e muito simpático, apesar da agenda lotada pôde nos conceder esta entrevista.  

1- O senhor escolheu o tema: "VIM PARA SERVIR". Fale um pouco sobre isso. 

D. Irineu - Meu lema episcopal "Vim para Servir" (Mc 10,45), segue o propósito de seguir o exemplo de São José e Maria, modelo de fé, intimidade com a Palavra de Deus, oração, amor, simplicidade, doação, serviço e trabalho. Assumi esse ministério sem motivo de honra ou orgulho pessoal. São Leonardo Murialdo, fundador da Congregação Religiosa de São José, da qual tenho minha origem, me inspirou o carisma do amor de Deus e as características da humildade e caridade. 

2- Como está sendo a sua experiência como Bispo Auxiliar de Belém durante esses meses?
D. Irineu - Foi um momento muito intenso de vida ministerial como novo bispo auxiliar. Estou feliz em meu novo ministério! Vivi, nesse tempo, uma experiência profunda com Deus e realizei meu trabalho alegremente. Minha ordenação episcopal ocorreu no dia 19 de março de 2014, sendo que em 6 de abril já fui apresentado para iniciar minhas atividades na Arquidiocese de Belém. Desde então, meu serviço seguiu num processo de ascensão contínua, em comunhão e unidade com os demais bispos, no sentido de conhecer melhor a Igreja de Belém: seu povo e suas comunidades, as pastorais, serviços e movimentos. Durante esse período ministerial à Igreja, nos meus trabalhos tive a oportunidade de realizar visitas pastorais nas paróquias, pregar retiros, proferir palestras, realizar muitas celebrações, conferir o Sacramento do Crisma, visitar seminários e casas religiosas, escutar acompanhar e ajudar muitas pessoas nas audiências. Para mim foram experiências muito positivas, em sintonia com padres, o povo, as comunidades, poder conhecer os desafios da Igreja local e, juntos, buscar alternativas para evangelizar melhor.

3- Como estão as suas expectativas para o Círio de Nazaré 2014, já que é o seu primeiro ano como Bispo Auxiliar de Belém?

D.Irineu - Estou me sentindo muito feliz por poder pela primeira vez fazer parte da programação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que tem como o tema “Ensina teu povo a rezar”, lema das peregrinações deste ano. Eu já estou me envolvendo com tudo, com toda a programação. Ontem, por exemplo, participamos da celebração de envio da Romaria da Juventude na Basílica  com a presença de muitos jovens, de toda a arquidiocese, de todas as paróquias, todos muito entusiasmados. 
Então, as minhas expectativas são as melhores possíveis, já que eu vou estar presente praticamente  em todos os momentos que vão acontecer durante esse período agora dessa semana que precede o Círio e depois na quinzena com a vinda dos outros bispos, com os temas programáticos das pregações das noites com os bispos que vão estar presentes nas romarias todas certamente eu vou estar presente em quase todas como Bispo Auxiliar, não se pode ficar de fora dessa programação intensa. Então as minhas expectativas é que teremos que trabalhar bastante, certamente vou trabalhar bastante. Mas a gente sabe, serão momentos muito edificantes de muita emoção, de muita fé, de muita evangelização para todo o nosso povo. Enfim, todos são convidados a participar desse grande evento que pra mim é um momento inigualável da igreja.

4- Qual o momento mais esperado na festividade nazarena? O que mais o toca no Círio de Nazaré?
Dom Irineu: Para mim o mais esperado é justamente aquele momento em que vai acontecer, aquela romaria rodoviária na sexta feira. Já que eu vou presidir essa missa de abertura, depois eu vou embarcar nos carros da romaria e só vou parar quando terminar a romaria lá em Ananindeua. Então imagina o que vai acontecer nesse trajeto todo pelo caminho, o que eu vou ver, o que vou escutar, o que vou sentir, as emoções, as pessoas... momentos de quando as apresentações vão acontecer, as homenagens, o movimento da população onde vamos passar com essa romaria rodoviária. Depois no dia seguinte ela parte da Nossa Senhora Das Graças em Ananindeua, e vai até Icoarací. Vou estar presente também, vou participar, será muito emocionante. Vamos estar presente também na romaria fluvial, até os outros momentos que virão logo em seguida, para mim serão momentos inesquecíveis do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Mas é claro que a trasladação da qual eu vou participar também não será diferente, e depois no dia do Círio, eu vou presidir inclusive a missa do término. 
 Então eu vou me preparando, tentando arranjar tempo para tudo isso, porque eu vim de uma semana pastoral muito intensa, não tive tempo de preparar tudo isso, a agenda, exige que a gente esteja preparado. Mas eu estou tranquilo, com muita ansiedade, também com muita alegria, para que possamos celebrar o melhor Círio de todos os tempos.

5- Dom Irineu, para quem nunca visitou a cidade de Belém e não participou do do Círio de Nazaré, o que o senhor tem a dizer sobre este momento de espiritualidade?
D. Irineu - É uma espiritualidade mariana. Nossa Senhora de Nazaré é que move o Círio, é ela que está a frente do Círio. Então para as pessoas que vão participar pela primeira vez preparem-se para um momento mariano muito forte e é claro que a centralidade é o Filho, que ela carrega nos braços, o menino Jesus, para que Ele possa ser, seguido, conhecido e amado. Nossa Senhora é a mãe do filho de Deus, por isso que nós devemos estar com ela, caminhar com ela, viver com ela, porque ela é modelo de fé, de oração mestra, ela nos ensina a rezar. Então, aqueles que vem pela primeira vez para o Círio de Nazaré, preparem-se para muitas emoções, preparem também para estar junto com essa multidão, que  vocês não podem calcular a grandeza dos eventos que vão acontecer, não é apenas um evento, mas dezenas de eventos, são as romarias, a transladação, o Círio, O Círio Fluvial e também os outros eventos culturais, o almoço do círio. Enfim, tudo isso é importante dentro do Círio, mas venham preparados para fazer um momento de oração muito forte, porque a espiritualidade é mariana, ela caminha de acordo com aquilo que igreja orienta, é também um grande momento de oração de evangelização onde nós aprendemos com Nossa Senhora a rezar e nos sentirmos irmãos uns dos outros caminhamos juntos, caminhamos com Deus para fazermos crescer sempre mais a nossa fé, crescer aqui na região e também para aqueles que vem fazer essa experiência, possam sair daqui na graça de Deus.


6- E aos jovens em geral que não participam dos momentos do Círio, o que o senhor tem a dizê-los? Faça seu convite à eles.

D. Irineu - O meu convite aos jovens é que venham! Venham todos participar do Círio! Principalmente aqueles que nunca vieram, agora é o momento de fazer uma nova experiência na sua vida. Busque essa experiência nova na sua vida pessoal. Você que é um jovem que vive longe de Deus de repente, por vários motivos, você pode achar que não tem tempo, por causa do teu estudo, do teu trabalho, das dificuldades que você está passando. Experiência de encontro com Deus através da devoção a Nossa Senhora, buscando uma verdadeira conversão na tua vida, uma verdadeira mudança. Nós temos que dar espaço para Deus em nossa vida, deixar que Ele entre em nosso coração. Aproveite esse momento, que esse é um momento aberto, um momento de graças, um momento de bênçãos. A graça, ela desce copiosamente sobre você, independentemente até da sua vontade. O fato de você estar presente você já é atingido por essa luz, por essa graça, por este amor imenso de Deus, que quer estar na tua vida no teu coração. Venha fazer essa experiência maravilhosa juntamente com outros milhares de jovens e adultos que estão participando do Círio.



Texto: Nice Ribeiro
Imagens: Nice Ribeiro e Google Imagens

domingo, 5 de outubro de 2014

Mangal das Garças

Um pedacinho da Amazônia em Belém, o Mangal das Garças, é um dos pontos turísticos mais elogiados da capital. Uma ótima opção de lazer pra quem está chegando e deseja conhecer um pouco mais da cidade. 

Visão panorâmica do alto do Farol de Belém 

Em uma área de 40.000 metros quadrados de muito paisagismo e repleto de lagos, vegetação e  diversas espécies  de aves, como sugere o nome "Mangal das Garças". O espaço às margens do Rio Guamá, foi criado no ano de 2005 pelo Governo do Estado.

Forte de Belém
Um paraíso pra quem busca tranquilidade, bater um papo com os amigos, ou simplesmente pra quem ama valorizar a natureza. No local podemos encontrar várias lanchonetes e agradáveis restaurantes. Além da Reserva José Márcio Ayres, o borboletário, onde são produzidas mensalmente 5mil borboletas de diversas espécies, o Farol de Belém,  de onde se tem uma visão panorâmica do parque e da cidade, e o museu Memorial da Navegação da Amazônia, lá os visitantes podem conhecer os três aspectos da evolução do transporte de navegação na Amazônia. O espaço é aberto de terça à domingo  para visitações, com entrada franca de 9hs às 18hs. Já para as áreas monitoradas como: borboletário, a farol e o museu, é necessário retirar os passaportes.                                                                                                     


Para escolas ou grupos de excursões as visitas podem ser agendadas pelo site abaixo.   
                      
 Lembrando que os portões estão abertos para quem deseja se exercitar e fazer caminhadas ao ar livre. 
                                              
O Mangal das Garças espera por você e toda a sua família. Sejam bem vindos! 

         




Para mais informações, agendar visitas ou ver a programação diária visite o site: www.mangalpa.com.br/pagina/programacaodiaria                                                                                                                                

Texto: Nice Ribeiro                                                                           Imagens: Nice Ribeiro e Google Imagens

sábado, 4 de outubro de 2014

Pato no Tucupi


Chegando a temporada do Círio de Nazaré, ótima oportunidade para confraternizar e reunir toda a família com um almoço especialmente paraense.  Por isso trago uma das receitas tradicionais e muito fácil de preparar. Bom apetite! 

Ingredientes

1 pato de 3 kg
2 litros de tucupi
3 maços de jambu
6 folhinhas de chicória
1 cebola grande
1 colher(sobremesa) de sal 3 dentes de alho
colorau e pimenta à gosto.


Modo de Preparo:
Em uma panela ferva o tucupi com alho e as folhas de chicória e reserve. Coloque o jambu em uma panela com água fervendo até murchar escorra e reserve. Tempere o pato em uma panela grande, com alho, cebola, colorau, pimenta e sal. Refogue como de costume virando de vez em quando até que se forme um molho. Quando a carne do pato estiver molhe, coloque sobre ela o jambu em seguida acrescente o tucupi. Deixe ferver por mais 10 minutos. Está pronto. Sirva com arroz branco e farinha d'água.
Aproveite e chame seus amigos para apreciar estas delícias e colocar a conversa em dia.

Sugestão: Você pode substituir o pato pelo frango que também fica muito saboroso e é uma delícia o Frango no Tucupi.

Informações: Esta receita é tipicamente paraense. Tempo de preparo aproximadamente 1h 45 min. Rendimento: 10 porções. Veja na postagem anterior a origem do Pato no Tucupi.


Curiosidade:  A Origem do Pato no Tucupi 

Os índios que na época da descoberta do Brasil viviam na faixa larga da mata atlântica, cerca de vinte e cinco milhões de ameríndios, fogem dos ataques dos "brancos". Ainda assim a matança foi impiedosa e os autóctones tornaram-se nômades. Guiacurú, Temimino, Carijó, Aymoré, Tamoio puseram-se a andar, perseguidos implacavelmente pelo civilizado.

As mulheres mostraram para o que vieram. Responsáveis pela manutenção dos alimentos para os seus filhos, traziam em grandes cabaças o tucupi, o jambu, a carne de caça moqueada ou peixe, prática que elas haviam descoberto muito antes. Era deliciosa a carne de anta moqueada com o tucupi preparado pelas mulheres da taba. A carne moqueada no tucupi conservava-se por oito dias. Esse uso e costume deu origem ao prato exótico da Amazônia – o Pato no Tucupí.

Texto: Nice Ribeiro
Imagens: Google Imagens

Maniçoba Vegetariana

A festa mais esperada do paraense está chegando, o Círio de Nazaré. É comum após a grande procissão as famílias se encontrarem para o tradicional almoço do Círio. E no cardápio do almoço não pode faltar a  Maniçoba! A receita original já foi apresentada anteriormente aqui no Dia a dia Belém.  Então pensando em você que busca uma alimentação mais saudável vamos mostrar agora uma receita mais leve e muito fácil de preparar, a Maniçoba Vegetariana. Bom apetite!
                                                                                 
                                     
Nesta receita a carne salgada da maniçoba tradicional é substituída, por frutas, castanhas, queijo provolone e proteína de soja, uma sugestão saborosa especial pra quem não quer sair da dieta. 


Ingredientes:

1kg de maniva pré cozida (9 dias)
3 folhas de louro
1 colher de sobremesa de feno grego
3 colheres de sopa de ghi (óleo extraído da manteiga) light
1 colher de mostarda em grão
2 tomates picados
1 pimentão picado
1 porção de chicória
100g de proteína de soja frita
1 xícara de queijo provolone em cubos
1/2 xícara de castanha do Pará
1/2 xícara de castanha de caju
1 colher de sobremesa de temperos secos(açafrão e curry).


Modo de Preparo

Cozinhe os temperos: ghi, mostarda, feno grego, pimentão, tomate, açafrão e o curry, separadamente por 5 minutos. Acrescente no mesmo recipiente a maniva com chicória, louro e a soja frita e deixe cozinhar por 10 minutos até se integrar, desligue o fogo. Acrescente por último as castanhas (Pará e caju)e o queijo provolone e...pronto! 

Sugestão: Sirva com arroz integral, jambu cozido, farofa de soja, salada e banana frita. Aproveite o momento com a família e tenha um ótimo almoço de Círio.
  
Para saber mais sobre esta receita que ganhou o premio de "Melhor Prato Feito do Brasil" em 2013, acesse o site: g1.globo.com/pa


Texto: Nice Ribeiro 
Imagens: Google Imagens e G1

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Receita especial para o almoço do Círio: Manjar de Bacuri

No Pará, a festa do Círio de Nazaré é tão importante que pode ser comparada ao Natal. E assim como na data de nascimento do Menino Jesus, um farto banquete com comidas típicas é preparado durante os dias de celebração.

Após a procissão do Círio é chegada hora de confraternizarmos com nossos familiares por mais ano. A saudação de “Feliz Círio!” ecoa em todos os cantos e a alegria toma conta do ambiente. Assim como os aromas das comidas típicas como: Maniçoba, Arroz Paraense, Pato no Tucupi, que já nos convidam a um mais um almoço do Círio. Entre um prato e outro, muita conversa, histórias e risadas são partilhadas... Eis o momento da sobremesa!

E nós do Blog Dia a Dia Belém vamos deixar aqui uma receita especial para o seu almoço ser bem mais saboroso e inesquecível!

Bom apetite!!!

Bacuri: Fruta genuinamente paraense
Manjar de Bacuri

Ingredientes:
- 1kg de polpa de bacuri;
- 8 colheres (de sopa) bem cheias de açúcar;
- 2 latas de leite condensado;
- 2 latas de creme de leite (gelado e sem soro);
- 500g de biscoito champagne;
- 300g de castanha do Pará torradas e trituradas;
- 1 coco seco e ralado


Como preparar

- Leve ao fogo, numa panela, a polpa de bacuri com 6 colheres de açúcar e deixe cozinhar por uns 20 minutos, mexendo sempre, até formar calda. Acrescente, 10 minutos depois de ferver, um pouco de água para que a calda não fique muito grossa. Em seguida, completados os 20 minutos de fervura, retire, deixe esfriar, escorra e reserve a calda. Liquidifique a polpa com o leite condensado e o creme de leite, apenas para misturar. Caso tenha batedeira, é melhor, porque é importante sentirem-se os “filhos” meio inteiros. Então, arrume em um prato, camadas alternadas do creme, de biscoito champagne e de castanhas trituradas. Os biscoitos devem estar umedecidos, levemente na calda. Contudo, reserve alguns para a decoração do doce. A última camada deve ser de creme. Então, junte ao coco ralado o açúcar restante e cubra o doce com ele, dispondo, ao redor do prato, os biscoitos champagne, reservados. Se quiser, disponha sobre o coco um pouco de confeito prateado (do mais miudinho), complementando a decoração. Sirva bem gelado, e espere os elogios. Certamente, serão muitos.



Texto: Emília Jacob
Imagem: Google Imagens

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ex-votos no Círio de Nazaré


O Círio de Nossa Senhora de Nazaré já se aproxima e pela graça de Deus vencemos mais um ano. Agradecemos pela nossa saúde, família, emprego. São as mais diferentes formas de agradecimento e nas procissões do círio podemos ver através de alguns símbolos materializados em objetos cera, barcos e outros... Esses objetos são chamados de “ex-votos”. Você sabia? Não?

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A palavra “ex-voto” vem da expressão latina ‘ex-voto suscepto’, que significa ‘por um voto alcançado’, ‘por uma promessa feita’.

Durante o Círio, a devoção à Santa é materializada nos ex-votos, objetos doados à Virgem que simbolizam milagres concretizados. A cura é representada por partes do corpo esculpidas em cera; a casa e o barco em miniatura são os bens adquiridos; bonecas e anjos simbolizam a relação entre a Virgem e as crianças: o filho tão desejado, vidas salvas, bênçãos alcançadas.  Cada um dos ex-votos representa uma graça.

Durante a procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, os devotos colocam os ex-votos no Carros dos Milagres. Momento de muita emoção, agradecimento e de fé.


Alguns ex-votos podem ser vistos ao longo do ano no Museu do Círio que fica localizado na Rua Padre Champagnat, no bairro da Cidade Velha, próximo ao Ver-o-peso, em Belém. O local guarda mais de duas mil peças e recebe o público de terça a sexta das 10h as 18h.

Não sabias, facaste sabendo!


Texto:Emília Jacob
Fonte: Site UFPa/ Círio de Nazaré/ G1 Pará